Abril, 2021

01abr12:44A Semana Santa nos Anos 60Exposição Online

Detalhes do evento

Óbidos continua a ser um palco privilegiado de celebrações de acontecimentos de índole histórico-religiosa. Evocando a Paixão e a morte de Cristo, a Semana Santa atrai à Vila muitas pessoas, portugueses e estrangeiros, unidos pela devoção ou simplesmente por curiosidade cultural e turismo religioso.
Despertando o maior interesse do ponto de vista cultural e turístico, a Semana Santa desde cedo se revelou como o melhor “cartaz” de Óbidos e inegavelmente, apresenta as mais lindas e impressionantes cerimónias religiosas do seu género realizadas no Oeste. Por este motivo, em 1963, por intermédio do então Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho, Dr. José Venâncio Paulo Rodrigues, estas cerimónias foram incluídas no programa de promoção turístico “Avril au Portugal”, assumindo uma dimensão que começava a ultrapassar as fronteiras do país.
No ano de 1998, repetiram-se algumas das principais iniciativas da Semana Santa, em articulação com as comemorações dos oitocentos e cinquenta anos da conquista de Óbidos aos Mouros, sendo de destacar a representação do Auto do Descimento da Cruz, um dos pontos altos e mais dramáticos. Recorde-se que a representação do Auto, cuja versão actual nos foi transmitida por Abino de Castro e Sousa, foi convencionada para os anos bissextos, tendo sido 1998 uma excepção.
Com a recuperação gradual das cerimónias da Semana Santa (e outras), a comunidade obidense, desde a edilidade local aos particulares, motivados e empenhados em manter as tradições, têm sabido colher e reflectir sobre os testemunhos que se vão transmitindo de geração em geração, não só a título pessoal, mas também através de fotografias, escritos e recortes de jornais.
Este “cartaz” de Óbidos tem o seu início, no primeiro Domingo da Quaresma, com a realização da secular Procissão Penitencial da Ordem Terceira de São Francisco, vulgarmente conhecida pela procissão da rapaziada, preparando o “caminho interior” da Quaresma.
No Domingo de Ramos, num ambiente de oliveira, alecrim, rosmaninho e verdura pelo chão, tem lugar a majestosa procissão do Senhor Jesus dos Passos, que percorre algumas ruas tortuosas, fora e dentro das muralhas de Óbidos, culminando na igreja da Misericórdia, onde se costuma encontrar armado um Calvário, representando a Montanha da Palestina, nas proximidades de Jerusalém, onde Jesus sofreu a crucificação.
O Auto do “Descimento da Cruz” culmina com a comovente procissão do Enterro do Senhor, realizada sem qualquer iluminação, a não ser os archotes que ardem nas mãos de jovens que se colocam em pontos chave do percurso processional. Esta cerimónia, não estando determinada pelas rubricas do Missal Romano, estabeleceu-se em Portugal pela devoção dos fiéis no século XV e princípios do século XVI. Como manifestação cultural é considerado o ponto alto das solenidades.
No Domingo de Páscoa assiste-se à Procissão Eucarística, com as representações das paróquias e seus lugares, e em que, nos anos sessenta, abria com o andor do Senhor Ressuscitado.
Em 2021, as manifestações religiosas da Semana Santa de Óbidos, especificamente as procissões, não irão realizar-se devido à Pandemia da COVID-19. No entanto, e para relembrar o passado e trazer esperança para o futuro, idealizou-se uma apresentação evocativa dos “anos de ouro” da Semana Santa de Óbidos que aqui se deixam para recordação de muitos e para o conhecimento de muitos outros.
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(Quinta) 12:44

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